Durante anos, a Reforma Tributária foi assunto de economista e pauta de jornal. Algo que "está vindo" mas nunca chegava de verdade. Isso mudou em abril de 2026. Os regulamentos do IBS e da CBS foram publicados nos dias 29 e 30 de abril de 2026 — e com eles veio um prazo concreto que todo empresário precisa conhecer: 1º de agosto de 2026.
A partir dessa data, sua empresa pode ser autuada por não informar corretamente os novos tributos nas notas fiscais. Não é mais discussão futura. É agora.
Este artigo explica, sem juridiquês, o que é o IBS e a CBS, o que mudou com a publicação dos regulamentos, quais são os prazos e o que você precisa fazer para não ser pego de surpresa.
Prazo crítico: 1º de agosto de 2026
A partir dessa data, empresas que não estiverem com os campos de IBS e CBS corretamente preenchidos nas notas fiscais eletrônicas podem ser autuadas. Você tem menos de 3 meses para se preparar.
O que são IBS e CBS — em linguagem direta
O Brasil tem hoje um dos sistemas tributários mais complexos do mundo. São cinco tributos diferentes incidindo sobre o consumo: ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI. Cada um com sua regra, sua alíquota, sua obrigação acessória e seu sistema próprio. O resultado é um custo absurdo de conformidade — empresas gastam tempo e dinheiro apenas para cumprir obrigações fiscais, antes mesmo de pensar em crescer.
A Reforma Tributária resolve isso substituindo esses cinco tributos por dois novos, que juntos formam o chamado IVA Dual brasileiro:
CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços
Gerenciado pela Receita Federal. Substitui o PIS e o Cofins que as empresas já recolhem hoje.
IBS — Imposto sobre Bens e Serviços
Gerenciado pelo Comitê Gestor do IBS. Substitui o ICMS dos estados e o ISS dos municípios.
O IPI também será extinto gradualmente, mas isso acontece em etapas mais longas da transição.
O ponto positivo: IBS e CBS são não cumulativos por natureza — ou seja, você desconta na saída o imposto que pagou na entrada. Isso elimina a famosa "tributação em cascata" que encarece toda a cadeia produtiva no Brasil.
O que mudou com a publicação dos regulamentos
A Lei Complementar nº 214/2025 criou o IBS e a CBS. Mas uma lei cria a estrutura — é o regulamento que diz como funciona na prática. Durante meses, empresas e contadores aguardavam esses regulamentos para entender exatamente o que precisariam fazer.
Nos dias 29 e 30 de abril de 2026, três documentos foram publicados:
- Decreto nº 12.955/2026 — Regulamento da CBS, com 620 artigos
- Resolução CGIBS nº 6/2026 — Regulamento do IBS, com 617 artigos
- Portaria Conjunta MF/CGIBS nº 7/2026 — Disposições comuns aos dois tributos
Esses documentos detalham fato gerador, base de cálculo, regimes de crédito, obrigações acessórias, regimes diferenciados e, principalmente, os prazos. Com a publicação, a fase de tolerância começou a contar — e o relógio está correndo.
Cronograma: o que acontece e quando
Entender o calendário é essencial para não ser pego de surpresa. Veja os marcos principais:
IBS e CBS entram em vigor juridicamente
Os novos tributos passam a existir oficialmente. As notas fiscais já devem ser emitidas com os campos de IBS e CBS — mas sem cobrança real e sem penalidade por erros nesse período.
Regulamentos publicados — prazo começa a contar
Com a publicação dos regulamentos em 30 de abril, o período de tolerância de 90 dias começa oficialmente. A fiscalização passa a ser possível a partir do 4º mês seguinte.
⚠️ Fim da tolerância — multas passam a ser possíveis
A partir de 1º de agosto de 2026, empresas podem ser autuadas por preenchimento incorreto ou ausência dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais. A Receita Federal sinalizou que vai cobrar multas somente a partir de 2027, mas a base legal para autuação já existe.
Prazo para empresas do Simples escolherem o modelo
Entre 1º e 30 de setembro de 2026, optantes pelo Simples Nacional devem escolher entre o "Simples puro" (sem separar IBS e CBS) ou o "Simples híbrido" (recolhendo IBS e CBS separadamente para aproveitar créditos). A escolha vale a partir de janeiro de 2027.
Sistema novo entra em operação de fato
IBS e CBS passam a ter efeito financeiro real. Os tributos antigos (ICMS, ISS, PIS, Cofins) ainda continuam sendo cobrados em paralelo durante o período de transição, que vai até 2033.
Transição gradual — tributos antigos saem, novos sobem
A substituição é progressiva. Os tributos antigos diminuem ano a ano enquanto IBS e CBS aumentam proporcionalmente. Em 2033, a transição está completa.
O que muda na prática para o seu negócio
Vamos ao que importa para o dia a dia da sua empresa. Esqueça os 1.200 artigos dos regulamentos por um momento — o que você precisa saber agora é isso:
1. Suas notas fiscais precisam ser atualizadas
A partir de agosto de 2026, as NF-e, NFC-e, CT-e e demais documentos fiscais eletrônicos precisam trazer os campos de IBS e CBS corretamente preenchidos. Isso exige que seu sistema de gestão seja compatível com os novos leiautes. Se o sistema não for atualizado, você não consegue emitir nota corretamente.
2. Você vai pagar os tributos antigos E informar os novos
Em 2026, o IBS e a CBS têm efeito apenas informativo — você informa os valores nas notas mas não paga. O ICMS, ISS, PIS e Cofins continuam sendo cobrados normalmente. A cobrança real do IBS e CBS começa em 2027.
3. O Simples Nacional muda — e você precisa escolher
Se sua empresa é optante pelo Simples Nacional, você vai precisar decidir até 30 de setembro de 2026 qual modelo seguir em 2027. A decisão errada pode custar caro — especialmente para quem vende para outras empresas (B2B) e poderia se beneficiar dos créditos do IBS e CBS no "Simples híbrido".
4. Se você errar o preenchimento, pode ser autuado
Mas há uma boa notícia: mesmo que você seja autuado, a lei prevê um prazo de 60 dias para regularizar antes de pagar a multa. Se você corrigir dentro do prazo, a penalidade é extinta. Ou seja: errar não é o fim do mundo — desde que você resolva rápido.
Atenção para MEIs e Simples Nacional em 2026: optantes pelo Simples Nacional estão dispensados de preencher os campos de IBS e CBS nas notas fiscais durante 2026. A exigência começa para eles em 2027. Verifique com seu contador em qual regime sua empresa se enquadra.
O que é Split Payment e por que isso importa
Um dos pontos mais comentados da reforma é o Split Payment — uma tecnologia que vai separar automaticamente o valor do imposto no momento do pagamento, repassando diretamente ao governo sem passar pelo caixa da empresa.
Na prática, quando um cliente pagar por um produto ou serviço, o sistema bancário vai separar automaticamente a parte do IBS e CBS e repassar para o governo. A empresa recebe o valor líquido direto.
Isso muda radicalmente o fluxo de caixa das empresas — especialmente aquelas que hoje usam o prazo entre a venda e o recolhimento do imposto como capital de giro. A boa notícia é que o Split Payment não começa em janeiro de 2027 — os regulamentos confirmaram que a implementação acontece no segundo semestre de 2027, no mínimo.
Seu sistema está preparado para os novos leiautes fiscais?
O e-Loja é atualizado conforme as mudanças da legislação fiscal. NF-e, NFC-e e CT-e com os campos de IBS e CBS assim que os leiautes forem liberados pelos órgãos competentes.
Conhecer o e-Loja →O que você deve fazer agora — lista prática
Chega de teoria. Aqui está o que um empresário precisa fazer nos próximos meses:
- Confirme com seu contador em qual regime seu empresa está — MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. O impacto e os prazos variam por regime.
- Verifique se seu sistema de gestão vai ser atualizado — ligue ou mande mensagem para o suporte e pergunte diretamente: "vocês vão atualizar o sistema para os novos leiautes de NF-e com IBS e CBS antes de agosto de 2026?"
- Se for Simples Nacional, entenda as opções até setembro — Simples puro ou Simples híbrido. Peça para seu contador simular os dois cenários com base no perfil dos seus clientes (B2B ou B2C).
- Mapeie seu fluxo de caixa pensando no Split Payment — mesmo que seja 2027, não é cedo demais para entender como sua operação será impactada quando o imposto sair direto do pagamento.
- Não ignore os avisos do sistema fiscal — a partir de agosto, qualquer inconsistência nos campos de IBS e CBS nas notas pode gerar autuação. Mas lembre: você tem 60 dias para corrigir antes de pagar multa.
Resumo rápido para o empresário ocupado: em 2026 você informa mas não paga IBS e CBS. Os tributos antigos continuam. Seu sistema precisa ser atualizado até agosto. Se for Simples Nacional, você decide o modelo novo até setembro. A conta de verdade começa em 2027.
Perguntas que todo empresário está fazendo
Vou pagar mais imposto com a reforma?
Não necessariamente. A proposta é que a carga tributária total permaneça semelhante — o que muda é a forma de calcular e recolher. Alguns setores podem pagar menos (especialmente B2B, que aproveitará mais créditos), outros podem pagar mais. Depende muito do seu segmento e do seu modelo de venda. Seu contador pode simular o impacto com os dados reais da sua empresa.
E o meu preço de venda muda?
Potencialmente sim — mas só a partir de 2027, quando o IBS e CBS passam a ter efeito financeiro real. Em 2026 nada muda no que você cobra ou paga efetivamente. Use esse período para simular e se preparar.
MEI precisa fazer alguma coisa agora?
Em 2026, não. O MEI está dispensado de preencher os campos de IBS e CBS nas notas fiscais por enquanto. Mas fique atento às mudanças que vêm em 2027.
Meu contador não me falou nada. Isso é normal?
Infelizmente sim — muitos escritórios ainda estão se atualizando sobre a reforma. Mostre este artigo para ele e peça uma análise do impacto específico para a sua empresa. Se ele não souber responder, considere buscar uma segunda opinião.
Dúvidas sobre como a reforma impacta o seu negócio?
Nossa equipe oferece consultoria gratuita para empresários que querem entender o impacto da reforma e garantir que o sistema de gestão esteja preparado para as mudanças.
Falar com a equipe →Conclusão
A Reforma Tributária saiu do papel. Os regulamentos foram publicados, os prazos estão definidos e agosto de 2026 está chegando. Não é mais algo para ficar esperando — é algo para agir agora.
A boa notícia é que 2026 ainda é um ano de adaptação. Você tem tempo para ajustar o sistema, entender as opções do Simples Nacional e se preparar para o que começa de verdade em 2027. Mas esse tempo é curto — e empresas que esperarem perderão a janela de preparação.
O caminho é simples: fale com seu contador, confirme que seu sistema de gestão será atualizado e acompanhe as novidades. A reforma é inevitável — o que está no seu controle é chegar preparado.
Soluthe Tecnologia — Teresina, PI
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